sábado, 10 de novembro de 2012

Refletindo...

Tenho refletido muito sobre o silêncio... reflito e escrevo.


            Hoje acordei com a incrível inquietação daqueles que procuram respostas que ninguém pode dar. Minha briga com o silêncio tem sido desgastante. Por vezes me sinto cansada, exausta... lutar contra um inimigo invisível, que não aponta seus erros, não indica soluções, não diz nada e diz tudo ao mesmo tempo, isso é terrível. Chego a pensar que incrível dom para maldade tem aqueles fazem uso de um silêncio que nada constrói. Sim, pois há o silêncio meditativo, que acalma, que indica cumplicidade entre os parceiros, que caracteriza a paz, a cumplicidade, a sabedoria, a reflexão... Mas há também este silêncio... ausência de entendimento, de respostas, que nos enche de dúvidas. Eu sempre tive uma preocupação meio idiota de não magoar ninguém, nem com minhas palavras, nem com o meu silêncio. Meu amor pelas palavras sempre me levou a escolhê-las com o maior cuidado. Sei bem os danos que palavras mal colocadas podem causar, sei também que a ausência delas é igualmente danosa.
            Sempre que alguém me responde com silêncio, tenho aquela sensação de que há algo mal resolvido, inacabado. Como buscar tranqüilidade sabendo que existem coisas pelo caminho, perguntas sem respostas, silêncios injustificáveis... Eu que me acostumei a dizer tudo, do pior sentimento ao maior afeto, sempre colhi as palavras mais bonitas do meu jardim secreto. Escolho as mais coloridas, perfumadas, maduras, macias... E daí que eu receba sempre palavras com espinhos, de quem não tem o mesmo cuidado que eu na colheita? O que me machuca mesmo não são os espinhos... é olhar o jarro vazio, sem rosas, espinhos... sem palavras. Total ausência de sentimento, de entendimento. Vejo o silêncio como um rio de águas densas, impenetrável, é um universo particular. Cada um sabe do seu silêncio, sabe seu significado, sua justificativa... mas nós, vítimas do silêncio alheio, talvez nunca desvendemos seus mistérios. Eu falo de todas as maneiras possíveis, com a boca, com os olhos, com o corpo. Minha alma grita enquanto recebo enormes doses de silêncio. Tudo em mim fala, e fala alto. Fala para que não haja mal entendidos, fala para que tudo o que eu sinto fique claro, para que nunca restem dúvidas do quanto quero bem ou do quanto não quero.


Graziela Vieira

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